Irão fecha parte do espaço aéreo e emite alerta de lançamento de rockets
O alerta estará em vigor entre as 3h30 e 13h30 horas locais (0h00 e 10h00 em Lisboa) desta quinta-feira, com restrições ao espaço aéreo desde o sul do país até ao Estreito de Ormuz.
A decisão acontece num momento em que as negociações entre os Estados Unidos e o Irão para alcançar um acordo nuclear, apesar do entendimento sobre “princípios orientadores”, estão numa fase tensa. O Irão está em alerta máximo face ao destacamento de mais meios militares norte-americanos para a região.
Na terça-feira, as delegações dos dois países reuniram-se em Genebra, tendo as conversações sido apelidadas de “construtivas”, mas ainda distantes de um possível acordo.
Negociações a par de risco de guerra
O objetivo dos Estados Unidos é evitar o desenvolvimento de armas nucleares por parte do Irão, algo que, segundo Washington, ainda não foi atingido.
Os Estados Unidos já enviaram 12 aviões militares para a Base das Lajes, à semelhança do que aconteceu no ataque norte-americano de junho ao Irão.
12 x F-16CJs from South Carolina’s 169th Fighter Wing stopped at Lajes Field in the Azores en route to Rota, Spain, before heading to the Middle East.
— Open Source Intel (@Osint613) February 17, 2026
Via Andre Inacio pic.twitter.com/Mk64p3UZki
Os aviões são F-16, que irão a “caminho de Rota, na Espanha, antes de seguirem para o Médio Oriente”, segundo a plataforma de inteligência Open Source Intel.Os F-16 estão a ser usados para apoiar a passagem dos F-35 e F-36 pelo Atlântico e que estão a caminho do Irão.
De acordo com a CNN Portugal, 400 militares foram destacados para os Açores, sendo que estão alojados na Ilha Terceira.
Exercícios militares entre Rússia e Irão
A Rússia e o Irão estão a preparar, por outro lado, exercícios militares conjuntos nas águas iranianas, segundo a agência de notícias iraniana Tasmin. Terão lugar na quinta-feira.
A corveta russa Stoikiy – anteriormente usada para exercícios de tiro contra alvos simulados no Mar Báltico – já se encontra em águas iranianas, mais concretamente no porto de Bandar Abbas.
O objetivo é “expandir cooperação marítima conjunta e reforçar coordenação entre as duas marinhas”, de acordo com o porta-voz da Marinha iraniana, Hassan Maqsoudlou.
Os exercícios vão decorrer no “no golfo de Omã e no norte do Oceano Índico”, que, de acordo como jornal norte-americano Wall Street Journal, não se encontra longe do porta-aviões dos Estados Unidos USS Abraham Lincoln, enviado em janeiro para a região.
Israel em alerta máximo
Israel aumentou o nível de alerta, de acordo com a CNN Internacional, e estão a intensificar exercícios militares, com o canal israelita Channel 12 a avançar com a ordem de preparação por parte das organizações de resgate e do Comando de Defesa Civil das Forças de Defesa de Israel (IDF).
JUST IN 🔴
— Open Source Intel (@Osint613) February 18, 2026
Channel 12 Israel: Rescue organizations and the IDF Home Front Command have been instructed to prepare for war.
Maximum defensive alert has been declared across multiple security bodies, with the system now on high alert.
O Irão tem cerca de dois mil misseis balísticos de médio alcance que podem chegar a Israel, assim como mísseis de curto alcance capazes de atingir as bases norte-americanas no Golfo e embarcações que passem pelo estreito de Ormuz, estratégico para o comércio internacional, sobretudo de petróleo.
O ex-chefe da inteligência militar das IDF, Amos Yadlin, declarou no Channel 12 que “estamos muito mais perto do que estávamos” de uma guerra entre os Estados Unidos e Irão, ainda que alegue que o Pentágono “não é claro sobre o que pretende alcançar”.
Irão sem “medo do martírio”
O Irão estará assim a preparar-se para eventuais ataques norte-americanos, segundo o Wall Street Journal, naquela que o analista iraniano, Farzan Sabet, considera ser “a pior ameaça desde 1988”, ano em que terminou a guerra Irão-Iraque.
“O Irão está a preparar-se para ataques ao colocar a sua segurança e liderança política em alerta máximo para prevenir a decapitação e proteger as instalações nucleares”, acrescenta Sabet.
Para se preparar para um eventual conflito, o Irão fortificou bases militares e enterrou entradas de túneis. Em imagens de satélite dos últimos meses, divulgadas em vários meios de comunicação social, como a Reuters e o jornal Times of Israel, o complexo militar de Parchin, a 30 quilómetros da capital Teerão e alvo de ataques israelita em 2024, foi alvo da construção de “uma estrutura de concreto sobre uma nova instalação num local militar sensível e a cobriu com terra”.
BREAKING: Satellite images show Iran repairing and fortifying sites amid US tensions.
— The Times of Israel (@TimesofIsrael) February 18, 2026
Satellite images show that Iran has recently built a concrete shield over a new facility at a sensitive military site and covered it in soil, experts say, advancing work amid tensions with the… pic.twitter.com/4y7qmzoeFu
As imagens de satélite também demonstram que as entradas dos túneis de uma instalação nuclear atacada pelos Estados Unidos em junho foram “enterradas” e fortificadas.
Outras, divulgadas na terça-feira pelo Instituto norte-americano para a Ciência e Segurança Internacional, dão conta que, nas últimas duas a três semanas, está a ser enterrado as instalações do Teleghan 2, também no complexo militar de Parchin.
“Assim que o sarcófago de betão em redor da instalação endureceu, o Irão não hesitou em cobrir grandes áreas da nova estrutura com terra”, alega o instituto, que afirma que “há mais terra disponível e a instalação poderá em breve tornar-se um bunker completamente irreconhecível” e que pode ser usada para proteção contra ataques aéreos.
Over the last two to three weeks, Iran has been busy burying the new Taleghan 2 facility at the Parchin military complex with soil. Once the concrete sarcophagus around the facility was hardened, Iran did not hesitate to move soil over large parts of the new facility. More soil… pic.twitter.com/LWSrCnDdfy
— Inst for Science (@TheGoodISIS) February 17, 2026
As negociações entre os Estados Unidos e o Irão estavam ainda a decorrer quando o líder supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, ameaçou que o “exército mais forte do mundo”, referindo-se aos Estados Unidos, “pode, às vezes, sofrer um golpe tão duro que não é capaz de recuperar”.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em conferência de imprensa esta quarta-feira, declarou que “ficaríamos orgulhosos em tornarmo-nos mártires”, afirmando que o país “não tem medo do martírio”.
A Guarda Revolucionária Islâmica está a realizar manobras militares no Estreito de Ormuz, que foi parcialmente fechado na segunda-feira, com o país a realizar testes nos últimos meses de sistemas de defesa aérea.