Irão fecha parte do espaço aéreo e emite alerta de lançamento de rockets

Irão fecha parte do espaço aéreo e emite alerta de lançamento de rockets

O alerta estará em vigor entre as 3h30 e 13h30 horas locais (0h00 e 10h00 em Lisboa) desta quinta-feira, com restrições ao espaço aéreo desde o sul do país até ao Estreito de Ormuz.

RTP /
Majid Asgaripour - WANA via Reuters

As autoridades de Teerão anunciaram esta quarta-feira o encerramento parcial do espaço aéreo iraniano e emitiram um alerta para o lançamento de rockets.

A decisão acontece num momento em que as negociações entre os Estados Unidos e o Irão para alcançar um acordo nuclear, apesar do entendimento sobre “princípios orientadores”, estão numa fase tensa. O Irão está em alerta máximo face ao destacamento de mais meios militares norte-americanos para a região.

Na terça-feira, as delegações dos dois países reuniram-se em Genebra, tendo as conversações sido apelidadas de “construtivas”, mas ainda distantes de um possível acordo.
Negociações a par de risco de guerra

O objetivo dos Estados Unidos é evitar o desenvolvimento de armas nucleares por parte do Irão, algo que, segundo Washington, ainda não foi atingido.

Os Estados Unidos já enviaram 12 aviões militares para a Base das Lajes, à semelhança do que aconteceu no ataque norte-americano de junho ao Irão.


Os aviões são F-16, que irão a “caminho de Rota, na Espanha, antes de seguirem para o Médio Oriente”, segundo a plataforma de inteligência Open Source Intel.Os F-16 estão a ser usados para apoiar a passagem dos F-35 e F-36 pelo Atlântico e que estão a caminho do Irão.

De acordo com a CNN Portugal, 400 militares foram destacados para os Açores, sendo que estão alojados na Ilha Terceira.
Exercícios militares entre Rússia e Irão

A Rússia e o Irão estão a preparar, por outro lado, exercícios militares conjuntos nas águas iranianas, segundo a agência de notícias iraniana Tasmin. Terão lugar na quinta-feira.

A corveta russa Stoikiy – anteriormente usada para exercícios de tiro contra alvos simulados no Mar Báltico – já se encontra em águas iranianas, mais concretamente no porto de Bandar Abbas.

O objetivo é “expandir cooperação marítima conjunta e reforçar coordenação entre as duas marinhas”, de acordo com o porta-voz da Marinha iraniana, Hassan Maqsoudlou
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Os exercícios vão decorrer no “no golfo de Omã e no norte do Oceano Índico”, que, de acordo como jornal norte-americano Wall Street Journal, não se encontra longe do porta-aviões dos Estados Unidos USS Abraham Lincoln, enviado em janeiro para a região.
Israel em alerta máximo
Israel aumentou o nível de alerta, de acordo com a CNN Internacional, e estão a intensificar exercícios militares, com o canal israelita Channel 12 a avançar com a ordem de preparação por parte das organizações de resgate e do Comando de Defesa Civil das Forças de Defesa de Israel (IDF).


De acordo com as fontes, uma delas militar, o país mostra-se “cético” em relação às negociações entre os Estados Unidos e o Irão e que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, realizou consultas especiais de segurança para avaliar as respostas a um possível ataque.

O Irão tem cerca de dois mil misseis balísticos de médio alcance que podem chegar a Israel, assim como mísseis de curto alcance capazes de atingir as bases norte-americanas no Golfo e embarcações que passem pelo estreito de Ormuz, estratégico para o comércio internacional, sobretudo de petróleo.

O ex-chefe da inteligência militar das IDF, Amos Yadlin, declarou no Channel 12 que “estamos muito mais perto do que estávamos” de uma guerra entre os Estados Unidos e Irão, ainda que alegue que o Pentágono “não é claro sobre o que pretende alcançar”.
Irão sem “medo do martírio”

O Irão estará assim a preparar-se para eventuais ataques norte-americanos, segundo o Wall Street Journal, naquela que o analista iraniano, Farzan Sabet, considera ser “a pior ameaça desde 1988”, ano em que terminou a guerra Irão-Iraque.

“O Irão está a preparar-se para ataques ao colocar a sua segurança e liderança política em alerta máximo para prevenir a decapitação e proteger as instalações nucleares”, acrescenta Sabet.

Para se preparar para um eventual conflito, o Irão fortificou bases militares e enterrou entradas de túneis. Em imagens de satélite dos últimos meses, divulgadas em vários meios de comunicação social, como a Reuters e o jornal Times of Israel, o complexo militar de Parchin, a 30 quilómetros da capital Teerão e alvo de ataques israelita em 2024, foi alvo da construção de “uma estrutura de concreto sobre uma nova instalação num local militar sensível e a cobriu com terra”.


As imagens de satélite também demonstram que as entradas dos túneis de uma instalação nuclear atacada pelos Estados Unidos em junho foram “enterradas” e fortificadas.

Outras, divulgadas na terça-feira pelo Instituto norte-americano para a Ciência e Segurança Internacional, dão conta que, nas últimas duas a três semanas, está a ser enterrado as instalações do Teleghan 2, também no complexo militar de Parchin.

“Assim que o sarcófago de betão em redor da instalação endureceu, o Irão não hesitou em cobrir grandes áreas da nova estrutura com terra”, alega o instituto, que afirma que “há mais terra disponível e a instalação poderá em breve tornar-se um bunker completamente irreconhecível” e que pode ser usada para proteção contra ataques aéreos.


As negociações entre os Estados Unidos e o Irão estavam ainda a decorrer quando o líder supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, ameaçou que o “exército mais forte do mundo”, referindo-se aos Estados Unidos, “pode, às vezes, sofrer um golpe tão duro que não é capaz de recuperar”.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em conferência de imprensa esta quarta-feira, declarou que “ficaríamos orgulhosos em tornarmo-nos mártires”, afirmando que o país “não tem medo do martírio”.

A Guarda Revolucionária Islâmica está a realizar manobras militares no Estreito de Ormuz, que foi parcialmente fechado na segunda-feira, com o país a realizar testes nos últimos meses de sistemas de defesa aérea.
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